Instituto Pensar - Para 72%, aulas presenciais só devem voltar com vacina contra a Covid-19, aponta pesquisa

Para 72%, aulas presenciais só devem voltar com vacina contra a Covid-19, aponta pesquisa

por: Nathalia Bignon 


A Coreia do Sul limitou número de alunos em escolas após o reaparecimento de casos da Covid-19 ? (Foto: Kyodo News / Colaborador/Getty Images)

Para 72% dos brasileiros, estudantes do país só devem retornar presencialmente às escolas depois que uma vacina para a Covid-19 estiver disponível. Foi o que apontou a pesquisa do Ibope, encomendada pelo jornal O Globo. O levantamento foi realizado entre os dias 21 e 31 de agosto, pela internet, com 2.626 pessoas com mais de 18 anos, das classes A, B e C.

Atualmente, apenas o estado do Amazonas havia liberado o retorno presencial às escolas, em julho. São Paulo e o Rio Grande do Sul seguiram a mesma medida nesta terça-feira (8). Rio de Janeiro, Piauí, Pernambuco e Pará também já têm datas marcadas, que vão do próximo dia 14 até outubro.

Todos possuem planos para a volta de forma escalonada e com medidas de prevenção. O Acre, de acordo com informações do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), está em fase de planejamento. Outros 19 estados não têm data definida.

Maioria é contra retorno

O resultado da pesquisa indicou que 54% concordam totalmente com a afirmação de que o retorno dos alunos à sala de aula deve ocorrer somente quando houver uma vacina; outros 18% concordam parcialmente?; 12% não concordam, nem discordam. Outros 7% discordam parcialmente; 6% discordam completamente; e 3% não souberam responder.

O Sul é a região do Brasil onde há mais resistência da volta às aulas antes da vacina. Lá, 77% concordam com a afirmação. Nas capitais do Rio e de São Paulo, são 74% e 71%, respectivamente. Dos que se declararam de esquerda, 87% só querem a volta às aulas após a vacina. E os entrevistados de direita também majoritariamente concordam com a afirmação: o índice é de 60%.

Preocupações da ONU

O problema central da abertura das escolas é a própria contaminação de alunos, responsáveis, professores e profissionais da educação. Uma pesquisa da Escola Médica da Universidade Harvard (EUA), uma das mais conceituadas do mundo, concluiu que o potencial de disseminação do novo coronavírus pelas crianças foi largamente subestimado nos últimos cinco meses da pandemia.

Os pesquisadores apresentaram evidências de que crianças podem ser mais contagiosas do que adultos, inclusive aqueles em quadro severo da doença, ainda que apresentem sintomas mais leves.

Por outro lado, a inatividade dos colégios acarreta, segundo a ONU, altos custos sociais e econômicos para estudantes, pais, professores e profissionais de diversas áreas. "Seu impacto é particularmente grave para os mais vulneráveis e marginalizados, assim como para suas famílias?, afirma a organização.

Entre os problemas estão: aprendizagem interrompida, que pode aumentar desigualdades educacionais; má nutrição das crianças; pais despreparados para a educação à distância, falta de ambiente e/ou equipamentos adequados; e aumento das taxas de evasão escolar.

Afetados pela Covid-19

Segundo a Unesco, 42% dos alunos no planeta estão em casa. Esse índice chegou a 90%, em abril. Praticamente todos os países debatem quando e como devem retomar as atividades "normais?.

No Brasil, uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou que 8,7 milhões de estudantes não tiveram nenhuma atividade escolar em julho. Embora seja um mês tradicionalmente de férias no Brasil, a pesquisa também apontou que apenas 8,9% dos estudantes brasileiros estavam efetivamente de recesso. Enquanto 72%, ou seja, 32,6 milhões de brasileiros, disseram que tiveram atividades escolares no período.

Dezenas de milhões de alunos, a maioria usando máscaras faciais, voltaram aos colégios em setembro na França, Bélgica, Polônia, Espanha, Grécia e Rússia. Esse é o mês de reinício do ano letivo na Europa, que, no entanto, se debate com crescimento de novos casos da Covid-19 em vários países.

Com informações do jornal O Globo



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